29 de Junho, 2022

Cibersegurança: como proteger os dados das empresas com sucesso

Parte integrante da transformação digital que hoje ganha contornos cada vez mais evidentes, a segurança das pessoas e das empresas é exigente e determinante para usufruir de todas as vantagens que o digital possibilita.

Os dados não deixam margem para dúvidas: Portugal está cada vez mais digital mas este é um longo caminho que só agora está a começar.

Segundo o programa Portugal Digital, em 2010 apenas 54% das famílias tinham acesso à Internet quando a média da União Europeia estava nos 68%.

Em 2021, foi verificado um aumento destes valores, dado que em Portugal, no ano de 2021, este valor passou para os 87%, tendo subido também a média europeia: 92%.

A promoção de um ciberespaço seguro e de confiança, onde os nossos direitos digitais são respeitados, é uma das principais prioridades nacionais e europeias.

Informações pessoais, contas bancárias, dados do cartão de crédito, a conta de email e das redes sociais, nenhum pormenor deve ser deixado ao acaso.

Por outro lado, é que quanto mais digital for a nossa sociedade mais exposta fica ao cibercrime.

Na opinião de Vanda de Jesus, diretora executiva do programa, este facto não deve ser visto como bloqueador de iniciativas: “As vantagens incontornáveis da digitalização compensam em muito os riscos que aprenderemos a controlar do ciberespaço. Percebemos claramente a sua importância e confirmamos que estamos no caminho certo.”

Portugal é pioneiro no desenvolvimento do selo de reconhecimento da maturidade digital – um dos catalisadores do Plano de Ação para a Transição Digital e uma das medidas do Plano de Recuperação e Resiliência – em que são reconhecidas a adoção de soluções e práticas digitais nas organizações nacionais.

Para Vanda de Jesus, “este modelo de certificação inclui a dimensão da cibersegurança, onde já contamos com três empresas piloto certificadas e serve já de framework de adopção e boas práticas para todas as que pretendam aderir”.

Por tudo isso acredita que está no caminho certo “ao apostar na certificação das nossas empresas”.


“A rotina é dos nossos maiores inimigos”

Isabel Baptista é coordenadora do Departamento de Desenvolvimento e Inovação do Centro Nacional de Ciber-Segurança.

Para ela, apesar de existirem várias vulnerabilidades em relação à cibersegurança, o factor humano continua a ser o mais frágil: “É preciso sensibilizar, trabalhar e formar as pessoas, ter a noção de que este problema é transversal e que diz respeito a toda a organização.”

Há, porém, conselhos básicos que podem ajudar a causa.

Ao contrário daquilo que se poderá pensar, este não é um assunto que se resolva apenas com tecnologia, é necessário alterar processos e práticas, ou seja é também uma alteração cultural pela qual todos temos que passar.

No passado dia 5 de maio celebrou-se o Dia Mundial da Cibersegurança, altura em que foi divulgado um estudo que indica que 23 milhões de pessoas tem como password “123456”, um código que também é dos mais utilizados entre os CEO.

Mas afinal, como deve ser contruída uma senha forte?

Isabel não tem dúvidas em afirmar que “se em casa temos a nossa porta fechada e trancada, com uma password deve acontecer o mesmo”.

Por isso, adianta algumas dicas que podem ajudar a construir uma senha segura e robusta: “Primeiro, deve ser longa e com vários caracteres, podemos substituir algumas letras por números, por exemplo, ou por uma arroba. Depois, não deve ser escrita em papéis ou agendas. Para além disso, as passwords pessoais e profissionais não devem ser iguais.”

Mas há mais: “A mesma regra vale para os logins: sempre que possível é importante utilizar vários logins e também o múltiplo fator de autenticação, como por exemplo, o número de telemóvel ou uma app.”

Para além disso, é importante ter em conta que a repetição e as rotinas nesta área são dos piores inimigos: “A rotina fica mecanizada e, seguidamente, é mais fácil alguém o repetir. É importante alterar as rotinas.”

Para saber de que forma pode seguir as boas práticas de cibersegurança em teletrabalho, a Centro Nacional de Cibersegurança disponibiliza um guia que explica tudo aquilo que está ao seu alcance fazer.


Não basta trancar a porta, é preciso monitorizar

Ninguém duvida de que sem segurança é impossível garantir uma transformação de sucesso. Agora que está a recuperar importância nas estratégias digitais e é fundamental alargar a responsabilidade a toda a empresa.

Na recente conferência Ciber(insegurança): Os desafios da digitalização para as empresas? , a Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana Vieira da Silva, afirmou que “não existe desenvolvimento económico sustentado sem segurança”. Declarou também que “a segurança não se decreta nem se afirma, constrói-se”, concluindo que “o factor humano é sempre o mais deterinante no contexto da cibersegurança”.

Também o estudo recente da Fundação PHC vão ao encontro desta ideia: 83% dos portugueses está preocupado com o cibercrime e 81% com o ciber bullying. Confirma ainda que 88% dos inquiridos estão preocupados com a privacidade e segurança de dados online.

Como defende a Computer World , os novos modelos de trabalho fizeram com que as empresas tivessem de estar, obrigatoriamente, interligadas. Permitiram o acesso dos colaboradores às ferramentas corporativas, procurando processos simples, produtos e serviços cada vez mais fáceis de utilizar e intuitivos.

A agilização de processos é movida pela necessidade de um processo imediato e direto, um factor de risco ne segurança nas organizações.

Numa fase em que a competitividade das empresas está em alta, é fundamental proporcionar uma experiência inesquecível ao cliente. Por isso, a cibersegurança deve ser também um elemento-chave no desenho e gestão de produtos, serviços e plataformas.

É necessário ter agilidade, flexibilidade e rapidez na tomada de decisões, tal como durante todo o processo de desenvolvimento.

Se antes da transformação digital, o desenvolvimento de software não estava integrado em todos os âmbitos, o mesmo se pode dizer em relação à segurança. É uma questão de tempo até que o todo seja muito mais do que a soma de algumas partes.

A consciência da importância que a cibersegurança tem numa empresa trouxe também aos empresários uma visão realista do negócio, um facto que coloca Portugal no caminho certa da transformação digital.

É por isso que hoje temos a certeza de que trancar a porta é só o início, num caminho de inovação que é necessário percorrer e que não pode ser desperdiçado. Voltar para traz pode ser fatal.

Segundo o Centro Nacional de Cibersegurança, em 2020 foi registado um aumento do tráfego de dados fixos (ANACOM) na ordem dos 55%, face a 2019. Números que mostram que o investimento em cibersegurança é parte integrante da estratégia digital das organizações e não algo secundário ou que pode ser feito mais tarde.

Oiça a entrevista ao ex coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança, professor Pedro Veiga sobre cibersegurança e transformação digital.


Também está nas suas mãos

A tecnologia tem uma importância superlativa neste processo mas é importante ter em mente não é solução para tudo, cada um nós tem um papel que não deve descurar.

A segurança é responsabilidade de todos e há aspetos a considerar que, muitas vezes, são mais facéis do que pensa e podem fazer a diferença tanto na sua segurança pessoal como na segurança da sua empresa.

A RH Magazine dá-lhe cinco dicas que podem evitar ataques cibernéticos às empresas:

  • Estar alerta aos e-mails de phishing (verificar o remetente, reconhecer o domínio, estar atento ao contexto e aos dados que são solicitados – passwords, números de conta bancária ou de segurança social devem ser mantidos privados – e à existência de links ou anexos);
  • Manter o espaço de trabalho organizado
  • Apagar dados antigos
  • Fazer atualizações frequentemente
  • E como anteriormente referido, ter atenção às senhas escolhidas

As grandes oportunidades vêm sempre acompanhadas de grandes riscos. Tal como a sinistralidade nas estradas está relacionada com a insdústria automóvel, também a cibersegurança faz parte integrante transformação digital.

A cibersegurança é dinâmica e, por isso, a observação e adaptação são elementos-chave para que consiga concretizar-se com sucesso. Os riscos são reais e há que estar consciente e atuar.

É necessário alterar processos e práticas, uma mudança de chip pela qual todos temos que passar.



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